Hoje (13), é celebrado em todo o território nacional o dia do Deficiente Visual. A cidade de João Monlevade conta atualmente com cerca de 10.088 deficientes visuais conforme dados do último Censo realizado em 2010. Em Monlevade, existe a Associação de Cooperação e Integração dos Portadores de Deficiência de João Monlevade (Aciponde), e segundo o presidente, Elias Gonçalves, Monlevade ainda peca muito na questão dos deficientes. “Pouco se fala sobre o assunto de acessibilidade para deficiente seja qual for: visual, auditivo, físico ou intelectual. Principalmente aqueles que têm uma maior limitação, que acabam sendo prisioneiros em sua própria casa, por não terem o direito de ir e vir”, disse Elias.
Ele ressalta que, de 2000/2010, dobrou o número de deficientes visuais na cidade. Mesmo com os recursos tecnológicos, ainda são grandes as dificuldades que eles sofrem. As escolas não são preparadas para trabalhar com alunos que apresentam problemas sérios de visão; muitos professores não têm formação adequada para desenvolver um bom trabalho, ficando os alunos à mercê das entidades especializadas. Nem sempre esses programas podem ser feitos de forma gratuita, dificultando muito a vida dessas pessoas.
A jovem Amanda Silva Marangon, de 15 anos, moradora da rua Zezinho de Abreu, no bairro Cidade Nova, assistida também pela Acinpode, é um exemplo de perseverança. Cega desde que nasceu (por conta de um banho de luz tomado sem proteção), Amanda conta que sua mãe, Ângela Maria Silva, logo percebeu seu problema. Amanda reclama da falta de mobilidade nas ruas da cidade e do descaso com os deficientes. Ela que faz uso de bengala, reclama do quanto está difícil se loco-mover nas ruas esburacadas de Monlevade.
A mãe de Amanda desabafa: “eu espero melhorias do prefeito. Não vejo nada bom. Tudo é muito difícil muito demorado. Acompanho minha filha no ônibus. Não tenho cartão gratuito, gasto demais com médicos, remédios, não recebemos apoio nenhum, não confio mais em nenhum vereador. São só promessas”, diz.
A garota, que já está no 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Cônego Higino, conta com uma intérprete para ajudá-la nas atividades da classe. Ela faz uso de um papel especial para Braile que custa R$5,50 o pacote, sendo que em média ela gasta seis pacotes por mês, tendo a mãe que custear sozinha com os estudos da filha. Há cinco anos atrás, ela recebeu do Estado um kit escolar que devia ser entregue todos os anos, mas como isto não acontece, Amanda continua a fazer uso do antigo kit doado.
A Prefeitura de João Monlevade foi questionada sobre os problemas dos deficientes visuais da cidade e disse que visando garantir o acesso ao conhecimento, o Executivo disponibiliza aos deficientes visuais um instrutor de Braile para acompanhar os alunos em todas as atividades escolares, como também intérprete de libras aos deficientes auditivos. O MEC encaminha às escolas que possuem deficiente visual matriculado livros em Braile para a biblioteca, máquina de datilografar em Braile para uso em sala de aula, impressora e materiais pedagógicos em Braile para sala de recursos da escola. Já sobre a questão do passe livre, o mesmo garantido às pessoas com deficiência, a Prefeitura informou que ainda não existem políticas públicas que garantam este benefício ao acompanhante.
Fonte: Jornal A Notícia.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário