Posted: 26 Sep 2012 09:09 AM PDT
Caro leitor,
A matéria abaixo foi extraída do site Jornal do Brasil.
Por Íris Marini
Movimento de inclusão social de deficientes realiza passeata em Copacabana
Nesta manhã de domingo, centenas de cariocas foram para a orla de
Copacabana, Zona Sul, realizar a passeata Superação Rio 2012, que luta
pela inclusão social de deficientes físicos e o aumento da
acessibilidade na cidade. Os participantes se concentraram na Avenida
Atlântica rumo a Praça do Lido.
Com o tema “Pelo Respeito à Diversidade”, a passeata deste ano
retornou à Copacabana para reivindicar os direitos, manifestar os
desejos e anseios por uma cidade mais compatível com as necessidades de
todos.

Diversas instituições marcaram presença na quinta edição da passeata
na orla, como o Instituto e o Clube Novo Ser, o Superação São Paulo, a
Anaer, o grupo Fisioalegria, entre outras. Ativistas consideraram o
percurso em Copacabana mais confortável aos participantes, por possuir
mais espaço e avenidas em melhores condições para cadeirantes, por
exemplo.
O Superação tem como propósito tornar o Rio de Janeiro uma cidade
mais acessível, justa e democrática. O evento celebrou também o Dia
Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado no dia 21 de
setembro.
Na última edição, o evento foi realizado no Centro do Rio de Janeiro,
onde reuniu cerca de 400 participantes pela Av. Rio Branco com destino a
Cinelândia – locais ainda inacessíveis para muitos como o restante do
centro da cidade – e contou com apresentação de carta manifesto entregue
há dois anos nas mãos do prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio
Cabral e do então presidente Lula.

“A carta manifesto pede apoio governamental e emental com relação ao
transporte público, local de trabalho, educação inclusiva, que respeite
as diferenças, acessibilidade, entre outros itens. Nós atualizamos as
reivindicações presentes na carta, de acordo com o que já foi feito. No
transporte, por exemplo, percebemos um aumento de ônibus adaptados, mas
não há muitas linhas disponíveis. Além disso, muitos funcionários não
estão preparados para acolher o deficiente no veículo, ou as calçadas
não tem rampeamento ou estrutura o suficiente para entrarem no ônibus”,
afirma a diretora do Instituto Novo Ser, Lena Gonzalez, mãe de Ricardo
Gonzalez, tetraplégico fundador e coordenador do instituto.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Futebol em Cadeira de
Rodas Marcos Antônio dos Santos, também concorda que o “acesso ao
transporte público ainda está muito ruim”. No entanto, ele vê avanços
nos últimos dois anos: “De dois anos pra cá, todas as novas construções
do Rio de Janeiro só são liberadas se houver o “ok” final da Prefeitura
quanto à acessibilidade do local”, conta Marcos.

“A passeata deve despertar em autoridades e empresários a questão da
acessibilidade de nossa cidade olímpica. Locais como centro e praias,
deveriam servir de referência positiva na questão de acessibilidade”,
declara Ricardo Gonzalez.
Olimpíadas e Paralimpíadas
Recém-passadas as Olimpíadas e Paralimpíadas de Londres, momento em
que os atletas paralímpicos brasileiros despontaram nas competições e
premiações, os principais questionamentos são: se a cidade vai estar
preparada para receber a diversidade paralímpica ou não em 2016 e qual
seria o motivo da expressiva diferença de desempenho entre os atletas
olímpicos e paralímpicos, estes últimos angariando muito mais medalhas e
troféus.
Para Lena Gonzales, o maior destaque dos atletas paralímpicos se deve
apenas ao empenho pessoal deles. “Não há muito apoio, nem subsídios
substanciais aos paralímpicos. Acredito que eles consigam mais prêmios
porque estão em busca de superação de limites. Alguns têm até patrocínio
ou bolsa atleta, mas a maioria rala muito”, argumenta a diretora. “E há
tantos atletas com muito patrocínio que não obtém os mesmos resultados
que eles”, critica.

Quanto à expectativa para a realização das Paralimpíadas 2016 no Rio,
Lena vê “ótima oportunidade para a cidade”. “A expectativa é positiva.
Espero que realmente as obras não sejam feitas descuidadosamente, que
tenham rigor nas construções, observando todos os detalhes. Esta é uma
grande oportunidade que o Rio tem em mãos, inclusive para o Turismo
acessível, que ainda é fraco no país. Muita gente vai querer visitar a
cidade nas Paralimpíadas, mas pode ter medo de não haver estrutura de
acessibilidade. Um município que pretende se intitular como paralímpico
precisa ter toda a estruturação para receber qualquer pessoa. Hoje há
tecnologia para isso. Falta o incentivo e a mobilização da população e
do Governo para isso”, finaliza Lena
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