terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cartilha "Municípios construindo acessibilidade

Cartilha "Municípios construindo acessibilidade: o que todo prefeito deve saber"


A cartilha será distribuída a todos os 
prefeitos mineiros
No dia 12 deste mês, estive na sede da OAB, em Belo Horizonte, para o lançamento da cartilha Municípios construindo acessibilidade: o que todo prefeito deve saber.
O evento foi promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, através da Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caade), e integrou a VI Semana Estadual de Direitos Humanos, com o tema “Iguais na diferença”.
O autor da publicação é Marcelo Pinto Guimarães, professor de arquitetura da UFMG e doutor em design. Ele é também diretor do Adaptse, um laboratório de acessibilidade em design e arquitetura. É cadeirante, tem vasta experiência com arquitetura inclusiva, design universal e com as lutas em favor da cidadania de pessoas com deficiência. Atuou como um dos líderes do movimento de vida independente no Brasil (CVIs).
Estiveram presentes no lançamento o Secretário de Desenvolvimento Social, Cássio Soares, que presidiu os trabalhos, assim como outras autoridades e representantes do movimento das pessoas com deficiência. Os prefeitos dos municípios mineiros receberão a cartilha, que contém orientações sobre acessibilidade.

Palavras do autor

O arquiteto Marcelo Pinto Guimarães profere palestra
Na palestra que proferiu no evento, Marcelo Guimarães enfatizou que a acessibilidade deve ser vista como direito, não como benefício, e que, com ela, o acesso a outros direitos fica mais fácil.
Lembrou que a cartilha é o resultado importante de um trabalho, mas o início de outro, pelo efeito que a publicação pode gerar, o que todos esperamos que aconteça, é claro.
Outros itens importantes de sua fala:
  • As pessoas têm sido tratadas como número, como fluxo. Não deveriam ser tratadas como realidade individual?
  • Quando intervenções sem critério são produzidas no espaço físico, gera-se sensação de insegurança.
  • Espera-se que chegue o dia em que o símbolo internacional de acesso fique tão generalizado (porque presente em todos os lugares), a ponto de não ser mais necessário.
  • É preciso investir na acessibilidade não por causa da pessoa com deficiência, mas para facilitar a vida de todos. Tudo deve ser acessível a todos.
  • A acessibilidade precisa ser vista como valor, no dia a dia, no campo de futebol, em todas as instâncias.
  • Ela depende do gestor e do cidadão, não exclusivamente de um deles.
  • Vivemos uma cultura que não está focada no respeito pela necessidade do outro.
  • Existem soluções técnicas para as situações – e Marcelo citou muitas dessas situações e das soluções possíveis, inclusive mostrando desenhos. Mas a sociedade precisa pressionar por mudanças.
  • Acessibilidade é igual a qualidade de vida.





Símbolo internacional de acesso

Marcelo ainda propôs a valorização do esforço dos contribuintes, ao tornarem, por exemplo, as calçadas acessíveis. Poderiam ser criados incentivos e deduções fiscais e premiações para quem cumprir sua parte. Ah! Acessibilidade é direito, é lei e tem de ser cumprida? Sabemos que não é assim que as coisas funcionam. Haja fiscalização para dar conta de quem não cumpre a lei. Sou das que apostam que vale a pena investir em prêmios – creio que isso fará com que a cidade se transforme efetivamente e mais rapidamente.

A cartilha
A publicação é escrita em linguagem simples e didática e contém muitas ilustrações para facilitar o entendimento. Resume de maneira competente os desafios vividos em uma cidade não acessível e apresenta soluções para cada situação, como, por exemplo, as melhorias necessárias em vias urbanas, pontos de ônibus, transporte e turismo.

Cartilha "Municípios construindo acessibilidade"

Para saber como obter a cartilha, ligue para a Caade. Vale a pena lê-la, estudá-la e engrossar os movimentos que pressionam as autoridades por uma cidade acessível.

No Brasil, as transformações ainda engatinham, o que mostra quanto nossa comunidade ainda está distante de valorizar a acessibilidade. Muitas cidades nos Estados Unidos, no Canadá e em vários pontos da Europa estão na frente, o que faz com que as pessoas com deficiência que as visitem percam a vontade de retornar ao Brasil…

Mas parece que nossa missão é arregaçar as mangas e lutar pela acessibilidade aqui. Batalhar pelas mudanças no espaço físico, mas não só. A transformação principal passa pela mudança de visão e de atitude: enquanto a comunidade achar que acessibilidade é favor e privilégio, as coisas avançarão a passo de tartaruga.

As pessoas precisam ser educadas para compreender que todos têm direito de usar o transporte coletivo, ir à escola, utilizar os serviços dos hospitais, pagar uma conta no banco, ir ao cinema. Usar o banheiro! Comer num restaurante, ir à balada, tomar um avião – e muito, muito mais.

Além disso, quem garante que você – que não tem nenhuma deficiência – não poderá sofrer um atropelamento, levar um tiro, sofrer uma doença incapacitante ou um acidente qualquer, vendo mudar, por tempo limitado ou para sempre, sua condição de acesso ao meio físico?

Mais: você ficará velho, um dia. Esperamos que sim. Não queremos que morra cedo! Ainda: já pensou a dificuldade que é trafegar com carrinhos de bebê nessas calçadas detonadas, que parecem ter sido bombardeadas? Que não têm rebaixamento? Tudo bem, você pode carregar o carrinho nas costas… Pode??? Durante quanto tempo e quantas vezes por semana?

Se você quer ser feliz não somente hoje, mas pensando no seu futuro, no nosso futuro, seja mais um a lutar por uma cidade acessível. Você ainda vai se agradecer por isso!


Saiba mais:
“...precisamos evoluir na nossa compreensão de acessibilidade, não para as pessoas com deficiência, mas para as deficiências que existem no dia a dia de todos.” Marcelo Pinto Guimarães


Com Fátima e Terezinha, à esquerda na foto, 
e Atayde, mais atrás.

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