Posted: 23 Aug 2012 01:27 PM PDT
Caro leitor,
Na última enquete do blog levantamos a seguinte questão:
Namoraria uma pessoa: com deficiência auditiva; com deficiência
visual; tetraplégica; sem deficiência; independente do tipo de
deficiência, caso me apaixonasse ou com deficiência intelectual?
Participaram dessa pesquisa 1.141 pessoas.
E os resultados foram os seguintes: 716 pessoas responderam que
namorariam uma pessoa independente do tipo de deficiência, caso se
apaixonasse; enquanto 99 namorariam uma pessoa sem deficiência; 96
prefeririam namorar uma pessoa com deficiência auditiva; 85 optaram por
pessoa com paraplegia; 60 por pessoa amputada; 56 namorariam uma pessoa
com deficiência visual; 19 escolheram pessoa tetraplégica e 11 pessoas
namorariam uma pessoa com deficiência intelectual.
A enquete teve como objetivo ter uma noção de como a sociedade encara
um namoro com uma pessoa com deficiência. E pelo visto os resultados
foram muito bons, visto que vivemos em uma sociedade contemporânea onde
há um crescente interesse no alcance do corpo perfeito e cada vez mais
mulheres e homens se submetem a torturados esforços para obtê-los. De
acordo com o pesquisador Jean-Paul Aron: “… o fim do século XXI inventou
um narcisismo coletivo, uma estética insólita do amor de si. A beleza
institui-se como prática corrente, pior, ela consagrou-se como condição
fundamental para as relações sociais. Banalizada, estereotipada, ela
invade o quotidiano através da televisão, do cinema, da mídia,
explodindo num todo o corpo nu, na maioria das vezes ou em pedaços,
pernas, costas, seios e nádegas. Nas praias, nas ruas, nos estádios ou
nas salas de ginástica, a beleza exerce uma DITADURA permanente
humilhando e afetando OS QUE NÃO SE DOBRAM AO SEU IMPÉRIO. Quem não
atende os padrões de beleza exigidos pela sociedade torna-se mais
visível e menos aceitável.” Isso é algo muito sério, pois devemos ser o
que realmente somos, e não o que “querem” que sejamos. Somos seres
únicos e cada um tem seu valor.
Precisamos nos valorizar e derrubar esse padrão de beleza exigido
pela sociedade. Precisamos aceitar o outro como ele é, e buscar na
outra pessoa algo em que nos transforme num ser humano melhor. Isso é
ter atitude, é saber o que quer, ter amor próprio, autoconfiança…
Segundo a pesquisadora Drª Maria do Socorro Correia Lima, “… não
podemos restringir desvios estéticos apenas às pessoas com deficiência,
na verdade todos estão sujeitos a alterações, desproporções,
imperfeições e desfigurações, independentemente do sujeito ser
considerado normal ou desviante” porque não existe ser humano perfeito!
Qualquer pessoa está sujeita a implacável e desmedida cobrança da
sociedade.
Como dizia Voltaire, “se o homem fosse perfeito, seria Deus”.
Vera Garcia
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