sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Resultado da enquete: Você namoraria uma pessoa com deficiência?

Posted: 23 Aug 2012 01:27 PM PDT
Casal de namorados (ele cadeirante e ela sem deficiência)Caro leitor,
Na última enquete do blog levantamos a seguinte questão:
Namoraria uma pessoa: com deficiência auditiva; com deficiência visual; tetraplégica; sem deficiência; independente do tipo de deficiência, caso me apaixonasse ou com deficiência intelectual?
Participaram dessa pesquisa 1.141 pessoas.
E os resultados foram os seguintes: 716 pessoas responderam que namorariam uma pessoa independente do tipo de deficiência, caso se apaixonasse; enquanto 99 namorariam uma pessoa sem deficiência; 96 prefeririam namorar uma pessoa com deficiência auditiva; 85 optaram por pessoa com paraplegia; 60 por pessoa amputada; 56 namorariam uma pessoa com deficiência visual; 19 escolheram pessoa tetraplégica e 11 pessoas namorariam uma pessoa com deficiência intelectual.
A enquete teve como objetivo ter uma noção de como a sociedade encara um namoro com uma pessoa com deficiência. E pelo visto os resultados foram muito bons, visto que vivemos em uma sociedade contemporânea onde há um crescente interesse no alcance do corpo perfeito e cada vez mais mulheres e homens se submetem a torturados esforços para obtê-los. De acordo com o pesquisador Jean-Paul Aron: “… o fim do século XXI inventou um narcisismo coletivo, uma estética insólita do amor de si. A beleza institui-se como prática corrente, pior, ela consagrou-se como condição fundamental para as relações sociais. Banalizada, estereotipada, ela invade o quotidiano através da televisão, do cinema, da mídia, explodindo num todo o corpo nu, na maioria das vezes ou em pedaços, pernas, costas, seios e nádegas. Nas praias, nas ruas, nos estádios ou nas salas de ginástica, a beleza exerce uma DITADURA permanente humilhando e afetando OS QUE NÃO SE DOBRAM AO SEU IMPÉRIO. Quem não atende os padrões de beleza exigidos pela sociedade torna-se mais visível e menos aceitável.” Isso é algo muito sério, pois devemos ser o que realmente somos, e não o que “querem” que sejamos. Somos seres únicos e cada um tem seu valor.
Precisamos nos valorizar e derrubar esse padrão de beleza exigido pela sociedade.  Precisamos aceitar o outro como ele é, e buscar na outra pessoa algo em que nos transforme num ser humano melhor. Isso é ter atitude, é saber o que quer, ter amor próprio, autoconfiança…
Segundo a pesquisadora Drª Maria do Socorro Correia Lima, “… não podemos restringir desvios estéticos apenas às pessoas com deficiência, na verdade todos estão sujeitos a alterações, desproporções, imperfeições e desfigurações, independentemente do sujeito ser considerado normal ou desviante” porque não existe ser humano perfeito! Qualquer pessoa está sujeita a implacável e desmedida cobrança da sociedade.
Como dizia Voltaire, “se o homem fosse perfeito, seria Deus”.
Vera Garcia

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