quinta-feira, 5 de julho de 2012

MERCADO DE TRABALHO PARA PESSOA COM DEFICIENCIA




1 INTRODUÇÃO

Muito se fala a respeito dos direitos e necessidades das pessoas com necessidades especiais. Porém, percebe-se que essas pessoas têm encontrado grandes obstáculos para a sua aceitação e participação na sociedade, especialmente no mercado de trabalho. As barreiras arquitetônicas, falta de formação e informação e, acima de tudo, o preconceito, ainda tem delegado aos deficientes papéis e posições muito aquém de suas potencialidades.

Se para as pessoas “normais” ter acesso ao mercado de trabalho representa um desafio, muito mais para as pessoas que possuem algum tipo de deficiência. O desafio para essas, além das exigências de qualificação e capacitação, passam também pela falta de estrutura física adequada e pela descriminação. Por tudo isso, as empresas nem sempre estão de portas abertas para esses profissionais.

Apesar do amparo da Lei, necessariamente da Lei de cotas, que obriga as empresas a cederem um percentual de vagas para os portadores de deficiência, o que se vê é o despreparo das organizações para empregar essas pessoas, e a falta de informações e meios para recrutá-las. 

Diante disso, a fim de promover uma maior conscientização e reflexão sobre o assunto, este trabalho apresenta uma visão mais ampla da inclusão do deficiente no mercado de trabalho, colocando em pauta assuntos relevantes relacionados a essa temática.

Embora não seja um tema em novidade, ainda há muito desconhecimento acerca do assunto, por parte de empresários, gestores, acadêmicos e até mesmo por parte dos próprios deficientes. Logo, este trabalho se faz relevante e necessário.






2 A INCLUSÃO DO DEFICIENTE NO MERCADO DE TRABALHO

2.1 Conceito de deficiência

Há várias maneiras de compreender e interpretar a deficiência. A deficiência se manifesta sob diversas formas e é difícil de compreender, tanto para as pessoas sem deficiência como para as pessoas com deficiência. Os dados disponíveis também refletem esta confusão: de acordo com um dado da OMS (Organização Mundial da Saúde), a prevalência de pessoas com deficiência no mundo inteiro é de 10% em média. Mas o banco de dados da ONU, que compila as estatísticas de diferentes países, menciona números que vão de 0,3% (na Tailândia) a 20% (na Nova Zelândia). Estes exemplos mostram como é difícil mensurar e definir a deficiência. Não existe uma definição única de deficiência, mas toda uma variedade de entendimentos e conceitos divergentes. Por exemplo, miopia é deficiência? Uma pessoa com um dedo artificial é considerada deficiente? Uma pessoa surda capaz de se comunicar eficientemente usando a linguagem de sinais é deficiente?

Cada país coleta os seus dados sobre a deficiência com base no seu entendimento do que seja deficiência, o que varia muito de um país para outro. Para obter uma compreensão abrangente e produzir dados confiáveis e comparáveis, as agências internacionais, como a OMS, estão trabalhando atualmente sobre uma definição geral. As modificações dos modelos existentes, ocorridas nos últimos cinco anos, e o aparecimento de uma nova definição (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - ICF) mostram que ainda estamos num processo de compreensão do conceito.

Os estudos em andamento com vistas a alcançar uma definição internacional são extremamente desafiadores, pois os modelos de deficiência são influenciados, em grande medida, por fatores culturais. As subseções a seguir explicam os três principais modelos de entendimento de deficiência.

2.1.1 Modelo caritativo


O Modelo Caritativo vê as pessoas com deficiência como vítimas da sua incapacidade. Dependendo da deficiência, as pessoas deficientes não podem andar, falar, ver, aprender ou trabalhar. A deficiência é vista com um déficit. As pessoas com deficiência não são capazes de se ajudar e de levar uma vida independente. A sua situação é trágica, e elas estão sofrendo. Logo, precisam de serviços especiais, instituições especiais, etc., porque são diferentes. Há que se ter pena das pessoas com deficiência, elas precisam da nossa ajuda, simpatia, caridade, é preciso tomar conta delas. Às vezes, as próprias pessoas com deficiência, normalmente aquelas que se sentem “incapazes” e têm baixa auto-estima, adotam este conceito.

2.1.2 Modelo médico


O Modelo Médico (ou Individual) vê as pessoas com deficiência pessoas que têm problemas físicos que precisam ser curados. Isto impele as pessoas com deficiência para o papel passivo de pacientes. O objetivo dessa abordagem é “normalizar” as pessoas com deficiência, o que naturalmente implica que sejam de um modo ou de outro, anormais. A questão da deficiência fica limitada à problemática individual: é a pessoa com deficiência que precisa ser mudada, não a sociedade ou o ambiente à sua volta.

De acordo com o modelo médico, as pessoas com deficiência precisam de serviços especiais, tais como sistemas de transporte especial e assistência social. É para isso que existem instituições especiais, por exemplo, hospitais, escolas especiais ou empregos protegidos onde profissionais como assistentes sociais, profissionais da saúde, terapeutas, professores de educação especial decidem e oferecem tratamento especial, educação especial e ocupações especiais.

2.1.3 Modelo social


O “Modelo Social” vê a deficiência como um resultado do modo como a sociedade está organizada. Como a sociedade não está bem organizada, as pessoas com deficiência enfrentam os seguintes tipos de discriminação e barreiras à participação:
  • de atitude: expressa-se em medo, ignorância e baixas expectativas.
  • do meio: resulta na inacessibilidade física que afeta todos os aspectos da vida (lojas, prédios públicos, templos, etc.); e
  • institucional: são as discriminações de caráter legal. Pessoas com deficiências são excluídas de certos direitos (por ex., não poder casar e ter filhos), exclusão das escolas, etc.
Esses três tipos de barreiras tornam as pessoas com deficiência incapazes de assumir o controle das suas próprias vidas. De acordo com o modelo social, a deficiência não depende apenas do indivíduo, mas também do meio social, que pode ser limitador ou capacitador de várias maneiras. Alguém que usa cadeira de rodas poderá ser considerada deficiente se ainda for capaz de conduzir automóvel ou andar de motocicleta e se a sua casa, lugar de trabalho e outros edifícios forem acessíveis?

2.1.4 O modelo baseado em direitos


Este modelo é semelhante ao do modelo social. O seu foco incide no cumprimento dos direitos humanos, por exemplo: o direito a oportunidades iguais e à participação na sociedade. Logo, a sociedade precisa mudar para garantir que todos – inclusive as pessoas com deficiência – tenham oportunidades iguais para participar dela. É um fato indubitável que as pessoas com deficiência muitas vezes se defrontam com direitos humanos básicos negados, como, por exemplo, o direito à saúde (física e psicológica) ou o direito à educação e ao emprego. Portanto, a legislação e as políticas públicas têm que fazer desaparecer essas barreiras criadas pela sociedade. A abordagem baseada nos direitos diz que a assistência nessas áreas não é uma questão de humanidade ou caridade, mas sim um direito humano básico que todos podem reivindicar. Os dois elementos principais da abordagem baseada nos direitos é empoderamento (empowerment, capacitação, fortalecimento dos meios de ação) e a responsabilidade (prestação de contas). Empoderamento refere-se à participação de pessoas com deficiência como partes interessadas ativas, enquanto que responsabilidade relaciona-se com o dever das instituições públicas em implementar esses direitos e justificar a qualidade e quantidade da sua implementação.

2.1.5 Conceito baseado em leis

O art. 1° da Resolução 3447, intitulada "Declaração dos Direitos dos Deficientes" (aprovada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU -, em 9 de dezembro de 1975), proclama que o termo "deficiente" designa toda pessoa em estado de incapacidade de prover por si mesma, no todo ou em parte, as necessidades de uma vida pessoal ou social normal, em conseqüência de uma deficiência congênita ou não de suas faculdades físicas ou mentais (ONU, 1975).

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde – OMS –, de forma mais minuciosa, estabeleceu uma distinção entre três condições físicas e/ou mentais [02]. Elas definem e classificam aqueles que não se encontram rigorosamente em condição de independência e autonomia para as atividades cotidianas, bem como para as tarefas profissionais e socioculturais. Cuida-se da Classificação Internacional dos Casos de: Impedimento (impediment) refere-se a uma alteração (dano ou lesão) psicológica, fisiológica ou anatômica em um órgão ou estrutura do corpo humano; Deficiência (disability) está ligada a possíveis seqüelas que restringem a execução de uma atividade e Incapacidade (handicap), a qual se relaciona aos obstáculos encontrados pelos portadores de deficiência em sua interação com a sociedade (leva em consideração a idade, o sexo, os fatores sociais e os culturais).

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