Caro leitor,
A julgar pela extraído do site Inclusive e escrito por Lúcio Carvalho*.
O artigo abaixo foi campanha eleitoral que terminou sua primeira fase no
último fim de semana, com o fim do primeiro turno, nunca houve tanta
preocupação com a inclusão social em solo pátrio como antes. A migração
dos discursos, à direita e à esquerda, para o tema da “inclusão social”,
longe de representar compromissos imediatos e efetivos de redução das
condições desiguais de acesso à cidadania, significa que o termo
popularizou-se definitivamente. Se, por um lado, trata-se de um fato
positivo, tendo em vista que ajuda a evidenciar as necessidades
concretas de muitos setores da população, por outro, se corre o risco de
que o termo reste apenas como mais um entre os tantos argumentos da
demagogia eleitoral, esvaziando-se de significado e de resultados
efetivos.
A “inclusão social” não é, de forma alguma, a primeira vítima da
demagogia política. Antes dela, o conceito da “sustentabilidade” fora
sucateado em discursos que na prática se mostraram muito pouco
sustentáveis e o próprio conceito de “desenvolvimento” usado como forma
de justificar políticas e decisões arbitrárias dos governos. Agora
parece que chegou a vez da “inclusão social” assumir o papel mágico de
conversão de eleitores.
É pouco provável que através de uma agenda feita de compromissos
vazios chegue-se a algum lugar, entretanto a realidade social exige
pensar os termos da “inclusão social” para além de meros ajustes a um
modelo social que a todo o momento gera novas exclusões. O que a
“inclusão social” quer e necessita são de políticas públicas e
iniciativas capazes de fomentar a emancipação social das pessoas, como
investimentos em educação e no acesso ao trabalho, por exemplo. O fato é
que a “inclusão social” não merece mais ser encarada como uma fórmula
mágica e simplificadora, mas como uma necessidade expressa para todos
aqueles que vêm sendo marginalizados nos já tradicionais e nos
novíssimos processos de desenvolvimento.
A comemorar-se há o fato de que
muitos candidatos identificados como minorias sociais foram eleitos em
vários lugares do país, das mais diferentes legendas partidárias. Mesmo
que isso não signifique necessariamente mandatos representativos ou
compromissos tácitos com a “inclusão social”, não deixa de ser um sinal
de que a sociedade passa a considerar como dignos de representação
política pessoas identificadas com setores socialmente marginalizados.
Se a “inclusão social” lograr, ao fim dos próximos quatro anos, escapar
do mero discurso de ocasião, pode ser então que mais pessoas passem a
reconhecer que os direitos de todos devam ser garantidos e promovidos e
também a exigir que, nas urnas, a “inclusão social” abandone o campo
retórico para entrar de vez na vida real das pess
*Coordenador-Geral da Inclusive – revista digital de diritos humanos, cidadania e inclusão social.
Fonte! Deficiente Ciente

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